A vistoria de entrada parece burocracia chata na empolgação de pegar as chaves — e é justamente por isso que tanta gente paga caro depois. Esse documento é o que decide, lá na frente, se você vai receber seu dinheiro de volta ou ser cobrado por estragos que nem você causou.
A lógica é simples e implacável: na saída, você devolve o imóvel no estado em que recebeu. Tudo que estiver no laudo de entrada como “ok” e na saída estiver danificado, a conta é sua. Tudo que você não registrou como defeito na entrada vira “você que quebrou”. Por isso a vistoria de entrada não é proteção do proprietário contra você — é a sua proteção contra cobranças injustas. Este guia mostra exatamente o que conferir antes de assinar.
A regra de ouro: você responde pelo que está no laudo
Antes do checklist, entenda o que diz a lei. A obrigação do inquilino na devolução está na Lei do Inquilinato:
“Restituir o imóvel, finda a locação, no estado em que o recebeu, salvo as deteriorações decorrentes do seu uso normal.”
— Lei nº 8.245/91, art. 23, inciso III
Repare em duas coisas dessa frase. Primeiro: “no estado em que recebeu” — e o que prova esse estado é o laudo de vistoria de entrada. Segundo: “salvo as deteriorações do uso normal” — desgaste natural (uma parede que amarelou com o tempo, por exemplo) não é sua responsabilidade. O laudo bem feito é o que separa o desgaste normal do dano de verdade.
Quando fazer a vistoria
O momento ideal é antes de assinar o contrato e de pegar as chaves, com calma e sem pressa. Na prática, muita imobiliária entrega um laudo já pronto para você assinar. Não assine no automático: confira item por item com o laudo na mão, andando pelo imóvel. Se algo no laudo não bate com a realidade, é agora que você corrige — depois de assinar, fica muito mais difícil.
Checklist: o que conferir, cômodo por cômodo
Paredes, teto e pintura
Procure rachaduras, manchas de umidade, mofo, furos de prego, buracos e pintura descascando. Anote tudo, mesmo o que parece pequeno. Confira em que estado está a pintura — e quem é responsável por repintar na saída.
Pisos
Pise por todos os cômodos prestando atenção a cerâmicas soltas, trincadas ou sem rejunte. Em piso laminado ou de madeira, procure riscos, manchas e partes estufadas (sinal de infiltração antiga).
Portas, janelas e fechaduras
Abra e feche todas as portas e janelas. Teste fechaduras, maçanetas, trincos e travas. Confira se os vidros estão inteiros e se as telas/persianas funcionam. Conte as chaves que você recebeu e registre quantas são.
Parte elétrica
Teste todas as tomadas e interruptores — leve um carregador de celular para checar tomada por tomada. Veja se todas as lâmpadas acendem e se o quadro de disjuntores está identificado e funcionando.
Parte hidráulica
Abra todas as torneiras e procure vazamentos embaixo das pias. Dê descarga, teste a pressão da água e veja se os ralos escoam bem. Ligue o chuveiro e confira o aquecimento. Vazamento escondido é um dos defeitos que mais geram briga depois — registre qualquer sinal.
Cozinha
Confira a pia, os armários (dobradiças e portas), a bancada e o ponto de gás. Veja se há infiltração embaixo da pia.
Banheiro
Mesma checagem hidráulica, mais a ventilação, o box e os vidros. Procure mofo no rejunte e no teto.
Áreas externas
Não esqueça garagem, área de serviço, quintal e, se der para ver, o telhado e os forros — manchas no forro denunciam infiltração. Registre o estado de portões e grades.
Itens que ficam no imóvel
Se o imóvel vem com armários planejados, móveis ou eletrodomésticos, cada um precisa entrar no laudo com seu estado atual e, de preferência, com foto. Geladeira que já vem com um amassado, armário com uma porta empenada: registre antes, ou você herda o problema na saída.
Como documentar: fotos, vídeos e laudo assinado
O laudo escrito é importante, mas sozinho é fraco. Reforce com fotos e vídeos de tudo, principalmente dos defeitos que você encontrou. Grave um vídeo andando pelo imóvel narrando o que vê.
Fotos e vídeos com data registrada valem muito mais numa eventual discussão do que a memória de qualquer uma das partes.
Por fim: o laudo deve ser assinado pelas duas partes (você e a imobiliária/proprietário), e você tem direito a uma cópia. Sem cópia assinada, na prática é como se a vistoria não existisse.
Anote os medidores
Antes de mais nada, fotografe os números dos medidores de água, luz e gás no dia da entrada. Isso evita que você pague consumo do morador anterior — uma surpresa comum nas primeiras contas.
Perguntas frequentes
E se eu achar um defeito depois de já ter pego as chaves?
Comunique a imobiliária por escrito (e-mail ou mensagem, para ficar registrado) o mais rápido possível, com fotos. Quanto antes, mais fácil incluir no laudo ou registrar como pré-existente.
Quanto tempo eu tenho para apontar problemas?
Costuma haver um prazo curto após a entrada para sinalizar divergências — frequentemente alguns dias. Confira o que diz o seu contrato e não deixe para depois.
A imobiliária é obrigada a me dar uma cópia do laudo?
Você tem todo o direito de exigir a sua via assinada. É um documento que protege os dois lados — uma imobiliária séria entrega sem você nem precisar pedir.
Desgaste normal de uso conta como dano?
Não. A própria lei separa as “deteriorações decorrentes do uso normal” do dano. O problema é provar o que era desgaste e o que já estava ali — e é exatamente para isso que serve o laudo de entrada bem feito.
Alugue com a vistoria feita do jeito certo
Na Moralí, cada locação em Catanduva tem a vistoria de entrada documentada com cuidado — laudo detalhado, fotos e cópia para você. É assim que a gente garante que você assine tranquilo e devolva o imóvel sem susto no fim.


